Desde o convite que recebi do PMI-RS para palestrar no X Seminário de GP do Rio Grande do Sul eu já sabia que seria uma oportunidade ímpar, mas é muito bom quando as expectativas são superadas, e felizmente os gaúchos do capítulo do Rio Grande do Sul do PMI organizaram um excelente evento, e faço questão de deixar meus parabéns antes mesmo de começar a falar como foi o evento.

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Fabio Cruz (eu), palestrando …

“É uma honra e um prazer participar do X Seminário de Gerenciamento de Projetos do RS e agradeço especialmente ao PMI-RS e a sua diretoria pelo convite, e confesso que é um orgulho enorme pisar no mesmo lugar que grandes feras do gerenciamento de projetos do Brasil e do Mundo estão pisando estes dias!”. Foi assim que comecei a minha palestra na tarde de sexta feira, dia 13 de Setembro, no centro de eventos da PUC-RS e como pode ser visto na foto cima.

Eu apresentei um case sobre a união do Scrum e o Guia PMBOK no gerenciamento de projetos ágeis, que também é parte integrante do meu livro “Scrum e PMBOK unidos no gerenciamento de projetos”. Já dei esta palestra em alguns eventos pelo Brasil, mas neste foi um pouco mais especial. Foi o maior de todos até agora, estava mais cheio, acredito que em torno de 300 pessoas, as mesmas que mais cedo haviam assistido o Ricardo Vargas falar sobre suas experiências no mesmo local que eu estava. Então a emoção foi muito grande e a satisfação também.

Comecei com a minha participação porque eu fui apenas um coadjuvante neste grande evento, e agora vou falar um pouco dos atores principais deste inesquecível encontro de profissionais de todo o Brasil, e de alguns de fora do Brasil também, foram muitas palestras e não pude participar de todas, então deixarei a minha impressão apenas das que eu estive presente.

Steve DelGrosso
Comunicação Efetiva com o Patrocinador conduz ao sucesso

Steve DelGrosso é membro do PMI desde 1993, e nos passou um pouco da sua experiência a respeito da comunicação com os patrocinadores, também conhecidos como Sponsor.

Uma das principais dicas que eles nos deixou foram as Sete ações chaves que nos levam a um projeto de sucesso, que são:

1 – As Partes Interessadas estarem comprometidas
2 – Os Benefícios do negócio estão sendo realizados
3 – Os Riscos estão sendo mitigados
4 – A Organização está se beneficiando com as entregas realizadas
5 – O trabalho e o cronograma são previsíveis
6 – O escopo é realista e gerenciável
7 – O time tem alta performance (ou está em  busca de)

Vejam que é simples =). Parece simples né pessoal, mas não é, e é só por estes pequenos detalhes que nos envolvemos com as boas práticas e buscamos sempre aprender mais e colocar mais experiências em prática.

Steve também nos deixou 3 de seus valores pessoais e profissionais, que realmente devem ser observados por todos que buscam sucesso:

1 – Respeito para com o indivíduo
2 – Honestidade e verdade são tidos como alto valor
3 – Trabalho sem sacrifício não é trabalho completo

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Eduardo Peres
Desconstruindo o mito sobre a estimativa perfeita

Eduardo levantou algumas discussões interessantes a respeito da busca pela estimativa perfeita e acurada e focou na necessidade de desaprender conceitos antigos e que não funcionam para a maioria dos projetos atualmente existentes, principalmente aqueles ligados a tecnologia da informação.

Ele nos deixou exemplos muito claros e alinhados com os conceitos ágeis e as abordagens que estão ganhando cada vez mais força no gerenciamento de projetos, as iterações, e com isso os planejamentos e as estimativas em ciclos curtos de desenvolvimento.

Suas dicas e sugestões para deixar de lado a estimativa irreal e partir para técnicas que funcionem foram:

– Priorização das funcionalidades com possível postergação de desenvolvimentos não importantes ou não prioritários
– Incorporação de mudanças o mais breve possível
– Maximização do trabalho não realizado, estimando e especificando o mais tarde possível
– Prazo e orçamentos fixos com escopo variável, mas com previsibilidade, usando estimativas com níveis de confiança.

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Juliano Reis
Panorama do Gerenciamento de Projetos no Brasil e no Mundo

O Juliano Reis faz parte de um grupo seleto daqueles que não precisam de apresentações no mundo do gerenciamento de projetos nacional. É o atual representante Latino Americano do PMI Inc para o Brasil, sendo o principal responsável por dar suporte a toda a comunidade de gerenciamento de projetos ligadas ao PMI no Brasil.

Juliano começou falando um pouco da sua história, como foi o primeiro funcionário contratado pelo PMI Inc no Brasil e como chegou a um cargo de tal importância. Posso dizer por mim, e com certeza por vários dos presentes, que foi muito motivador e inspirador a forma com que ele nos transmitiu um pouco da sua história e de seu sucesso.

O Juliano falou de como está a área de gerenciamento de projetos no Brasil e no mundo, e nos trouxe números muito expressivos e significativos, que valem a pena serem compartilhados, tais como:

– Mais de 13 trilhões de doláres são gastos através de projetos no mundo, em torno de 20% do PIB Global.
– Do montante acima, grande parte é investido em TI e desenvolvimento de novos produtos e serviços.
– Em 2010 haviam 36,6 milhões de trabalhadores em projetos, para 2020 a previsão e de ultrapassarmos a barreira dos 47,6 milhões, com um aumento de 30% a uma margem de 1,1 milhão de novos empregos por ano.

Apesar dos números impactantes, ainda há um alto índice de fracasso nos projetos, que nos mostra que grande parte da empresas ainda não está preparada para atuar em projetos. Vamos observar os números:

– Em 1996 apenas 27% do projetos obtinham sucesso, contra 40% de fracasso
– Em 2002 o sucesso subiu para 34% contra 15% de fracasso
– Em 2009 o sucesso caiu novamente para 24% contra uma nova subida dos projetos fracassados para 32%

Já na última pesquisa realizada em 2012, tivemos uma queda de 24% para 21% dos projetos fracassados e uma melhora de 32% para 37% nos projetos que obtiveram sucesso.

Isso ainda nos alerta para os desafios dos projetos em todo mundo, e que cada vez mais precisamos nos preparar, nos especializar e cada vez mais acumularmos experiências em projetos para combatermos os riscos de fracasso e aumentarmos as oportunidades de sucesso.

Aproveitando o assunto Risco, o Juliano nos trouxe um número impressionante, que em torno de 322 bilhões de doláres do PIB mundial foi gasto em risco no ano de 2010.

Impressionante os números não é? É ou não é importante darmos valor ao gerenciamento de projetos em nossas organizações?! Se você tem dúvidas ou precisa de ajuda, procure o PMI mais próximo de você =)

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Jorge Audy e Paulo Caroli
Jogos de Trabalho

Jorge e Caroli trouxeram uma inovação para o X Seminário, onde ao invés de uma palestra convencional, propuseram jogos e dinâmicas em grupo para mostrar qual a importância do trabalho em equipe e de um gerenciamento de projetos mais ágil e com uma cara mais divertida, sem tirar a seriedade de entregas e o comprometimento com a qualidade do produto entregue, e principalmente com a qualidade do relacionamento entre as pessoas e do cumprimento de objetivos em equipe e não mais o foco em trabalhos individuais.

O objetivo principal dos jogos de trabalho é aprender com os erros de forma a fixar os aprendizados através da experiência vivida durante os jogos, e fundamentalmente dos erros. É isso mesmo, como o Jorge disse durante sua apresentação, “Nos jogos se aprende errando, e não acertando. Não faça jogos de trabalho para acertar, mas sim para errar, é assim que se aprende.”.

Não vou tirar a surpresa do belo e eficiente trabalho realizado pelo Jorge e pelo Caroli, então não vou contar os jogos que eles realizaram no X Seminário, mas confesso que só eu participei de duas dinâmicas onde deixo as fotos abaixo, e tenham certeza que usarei em breve em Workshops e possivelmente darei uma palestra de jogos como esta em breve por ai.

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Foi um prazer enorme aprender com estes caras, e fica a dica: Se ouvirem estes nomes falando de jogos de trabalho, vá correndo assistir, e participe levantando da cadeira e sendo voluntário!!!

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Ricardo Vargas
Por dentro do escritório de serviços de projetos das Nações Unidas

O que falar deste cara?! Acho que vou começar com um muito obrigado pela inspiração que o Ricardo provoca em mim e com certeza nas pessoas que o acompanham.

É um cara simples que sabe cativar um público como ninguém, e eu não tenho vergonha de deixar registrado aqui que me emocionei durante sua apresentação, e por um ou dois momentos meus olhos se encheram de lágrimas. Não só pelas realizações que o escritório do Ricardo faz através da UNOPs pelo mundo, mas por ele ter chegado onde chegou, pelas pessoas que estão com ele estarem onde estão, e por provocar em nós o sentimento de que podemos fazer e ser o que quisermos, e que a área de projetos é simplesmente magnifica!

Ricardo com o seu jeito tranquilo, simples e sempre sorridente, com uma camisa da UNOPs, que para quem não sabe é a unidade responsável pelos serviços e projetos da ONU, nos contou um pouco da sua vida na Dinamarca, dos projetos que é responsável atualmente e da sua função de Diretor do grupo de práticas da ONU.

Vou resumir alguns dos números expressivos de seus projetos, que mostram a eficiência e a responsabilidade de sua equipe:

– 1249 projetos implementados desde que Ricardo assumiu a posição
– 300 gerentes de projeto
– 2.631 kms de rodovias e estradas construídas ou rastauradas
– 40 escolas construídas ou restauradas
– 27 pontes construídas ou restauradas
– 7 hospitais e outros 41 estabelecimentos médicos
– 14 países onde trabalhos de remoções de minas terrestres estão sendo realizados
– 25 postos policiais

Estes são apenas alguns dos números que o Ricardo nos apresentou, além disso ele é o responsável pela seleção e priorização de todos os projetos que entram hoje na ONU, não só de construções mas de compras (aquisições), serviços e outros projetos da organização.

Seu trabalho também envolve fornecer treinamento e capacitação para que o time de projetos da ONU, espalhado por vários países, consiga manter e sustentar os trabalhos referentes a projetos no futuro.

Realmente os trabalhos do Ricardo são expressivos e a sua simplicidade é algo que me marcou muito neste evento. Foi a primeira vez que o vi pessoalmente, me apresentei, nos cumprimentamos e tive o prazer de registrar o momento através da foto abaixo, e guardo com carinho o momento que eu me apresentei dizendo meu nome e ele respondeu de forma espontânea e sorridente: “Opa Fábio, claro que lembro de você, estamos sempre trocando tweets“.

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Ainda no que se refere a simplicidade, um amigo da platéia parabenizou o Ricardo por sua coragem e realizações na ONU, e o Ricardo simplesmente respondeu: “Não é a mim que você deve agradecer, eu estou muito bem e confortável na Dinamarca, vou trabalhar todos os dias de bicicleta e vivo seguro, de vez em quando, apenas, faço viagens para os locais dos projetos perigosos, mas você deve agradecer e parabenizar aos que estão lá, nas zonas de conflito e no meio dos projetos de risco. Estes sim, merecem o nosso agradecimento e o nosso parabéns!”.

É ou não é o cara?! Parabéns ao Ricardo e parabéns ao PMI-RS que conseguiu trazê-lo para o Brasil para dar uma palhinha para nós das suas experiências em projetos.

Para quem se interessar em trabalhar com ele por lá, ele disse que sempre tem vaga, mas não há vagas em Londres, Paris ou Kopenhagen, que sabe Afeganistão … e ai vai encarar? hmmm Ricardo, para onde mesmo eu mando o CV? =)

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José Finocchio
Project Model Canvas

Este é outro cara que gosto muito, Prof Finocchio. No mês passado fiz o Workshop PMCanvas com ele em Florianópolis, mas mesmo assim, fiz questão de assistir sua palestra sobre o mesmo tema no X Seminário. Sabe aquela história de “Vale a pena ver de novo!”.

O Prof Finocchio nos mostrou como tirar proveito do Project Model Canvas para planejar projetos, entender os objetivos, riscos, custos macros, e tudo que compõem um plano de projeto, porém, de uma forma nova de ver e fazer as coisas.

O PMCanvas é uma ferramenta muito ágil e muito visual para se planejar projetos e para se adquirir a segurança necessária para se dar o próximo passo, ou seja, iniciar um projeto sabendo o que será feito e qual o caminho será seguido. Eu até mencionei na minha palestra, quando disse que todo o plano de projeto pode ser montado de maneira diferente e visual utilizando o PMCanvas, migrando de documentos tradicionais para ferramentas mais visuais e ágeis.

O PMCanvas é de criação do próprio Finocchio, e é uma ferramenta ótima para nos responder as seguintes perguntas referentes a um projeto:

– Porque vamos fazer este projeto?
– O que será entregue por este projeto?
– Quem realizará este projeto e quem receberá seus benefícios?
– Como o projeto será realizado e seu produto será entregue?
– Quando o projeto será realizado, e quanto o projeto custará?

Veja que as perguntas são fundamentais para a realização de um projeto, e sem respondê-las não há porque fazer um projeto, e melhor, sem respondê-las na ordem que elas aparecem não há porque seguir em frente.

Esta é a grande sacada do Project Model Canvas, e eu digo que já estou utilizando esta ferramenta e recomendo a todos que a utilizem também, e se não sabem como, procure um Workshop de PMCanvas mais perto de você =).

Descobri também o porque da costeleta gigante estilo “Harleiro” do Finocchio, ele terminou sua palestra ao som de Iron Man, do Black Sabbath … sonzeira!

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Paulo Storani
Construindo uma Tropa de Elite

Para fechar o dia e o evento tivemos o prazer de ouvir o “Capitão Nascimento” da vida real, mais conhecido como Caveira 69 ou Capitão Storani do BOPE do Rio de Janeiro.

Um cara muito divertido e com sangue nos “zóio” como dizem por ai. Com uma energia incansável nos contou algumas de suas experiências quando fazia parte do BOPE, e também a respeito da sua participação como consultor no filme Tropa de Elite.

Uma das partes que me marcou foi quando ele me citou por umas 3 ou 4 vezes durante a sua palestra, por que por coincidência a minha palestra foi antes da dele, e ele me assistiu falando sobre Scrum, ágil, Sprint e reuniões diárias. Então foi muito engraçado e também interessante quando ele disse assim:

“Foi muito legal quando o Fábio falou sobre as Sprint, e eu pensei comigo a gente usa esta tal de Sprint lá no BOPE …”. Em outro momento gritou para o público: “Cadê o Fábio, tá ai ou já foi embora?”, meio que passando o radar pelo público e eu pensei comigo: “ai caramba, e agora, digo que estou ou que não estou?” =), e quando eu levantei o braço ele disse que se lembrou de mim falando sobre objetividade, coerência e agilidade nos breafings que eles faziam no BOPE antes de irem para as operações, comparando com o que eu falei sobre a objetividade das reuniões diárias nas equipes ágeis.

Storani levantou a galera falando sobre motivação, transformação de atividades em missões levando comprometimento e cumprimento de prazos, fazendo vínculos com o gerenciamento de projetos e até usando jargões de projetos em suas falas.

Infelizmente não pude ficar até o final da palestra do Storani, porque tive que sair correndo para o aeroporto, mas sei que houve dinâmica e sessão de fotos no final. Mesmo sem ter ficado até o final, recomendo totalmente para quem puder, vale a pena ver o Caveira 69 falando sobre suas experiências e até sobre as “Sprints” do BOPE entregando os produtos para os seus clientes =). Quem são os clientes do BOPE? O que são os produtos do BOPE? Deixo estas perguntas para todos vocês ficarem curiosos e verem esta palestra por ai.

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Então é isso pessoal, deixo aqui mais uma vez o meu agradecimento a todos os voluntários do PMI-RS, incluindo sua diretoria, pelo convite que me possibilitou participar de um dos maiores eventos de gerenciamento de projetos do Brasil, e pela oportunidade de ver tanta gente fera reunida no mesmo local.

Um grande abraço, até a próxima e deixo algumas fotos abaixo para registrar o X Seminário de Gerenciamento de Projetos do Rio Grande do Sul. Um evento que para mim foi marcante e inesquecível, principalmente devido a casa cheia na minha palestra e aos ilustres palestrantes que estavam no mesmo evento que eu.

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Credencial de palestrante e a agenda completa do evento

Eu, palestrando ...

Eu, palestrando …

Ricardo Vargas, palestrando ...

Ricardo Vargas, palestrando …

 

Jorge Audy e Paulo Caroli, palestrando ...

Jorge Audy e Paulo Caroli, palestrando …

 

Paulo Storani, o capitão nascimento da vida real, palestrando ...

Paulo Storani, o capitão nascimento da vida real, palestrando …

 

O meu livro sendo vendido em e-card, ou seja, compra física mas com versão digital.

O meu livro sendo vendido em e-card, ou seja, compra física mas com versão digital.

Como ninguém é de ferro. Um Happy Hour com o PMI-RS para comemorar o primeiro dia do evento.

Como ninguém é de ferro. Um Happy Hour com o PMI-RS para comemorar o primeiro dia do evento.

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Abaixo deixo registrado o material de divulgação do evento.

 

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