Durante uma conversa com um colega da área de projetos, rimos a respeito de uns comentários sobre a falta de planejamento em projetos e usamos o termo “fazejamento”.

Se o sentido for realizar feitos, ações e objetivos, e o “fazejamento” for a conclusão de uma iniciativa, que podemos chamar de “terminativa”, o termo (inventado) “fazejamento” seria positivo, pois estaríamos realizando ao invés de só planejarmos ou pensarmos. No entanto, em projetos, a maioria das vezes que vemos o “fazejamento” sendo realizado seus impactos são negativos ou trabalham em cima de altos riscos.

Fazejamento

Esta brincadeira com a palavra fazer e planejar nos dá a palavra fictícia “fazejamento”, que significa fazer ao mesmo tempo que se planeja, que na prática e na verdade, é fazer sem planejar, é executar direto e fingir que se planeja, ou fazer de conta que está planejando ao mesmo tempo que se realiza.

Quando o “fazejamento” entra em operação, é porque não houve planejamento, e no minuto anterior a se realizar algo se supõe um planejamento ínfimo e uma execução de algo que apenas foi pensado como supostamente possível e os efeitos, consequências e resultados não são previstos ou esperados, são apenas imaginados rapidamente e uma grande aposta na sorte é feita.

No meio de um “fazejamento” muita coisa pode acontecer, e eu não tenho medo de afirmar com certeza absoluta, que quando tudo (ou quase tudo) dá certo, foi pura questão de sorte. Sabe aquela frase que ouvimos dos mais experientes ao longo dos nossos aprendizados? “Você tem mais sorte do que juízo hein!“. Então, esta é a frase que expressa claramente o resultado de um “fazejamento”.

Nada contra crenças, religiões e Deus, eu mesmo acredito em Deus, mas trabalhar com “fazejamento” é o mesmo que responder “se Deus quiser dará certo” quando alguém te pergunta quais são os fundamentos da sua afirmação de que algo será concluído ou entregue. Para um crente ou cristão esta resposta pode ser ótima, mas para um gerente que precisa responder a riscos e entregar um produto ao seu cliente, é uma grande falha que pode trazer grandes consequências.

Uma analogia boa para a sorte de quem trabalha com o “fazejamento” é quando vamos ao banheiro em uma emergência. Quantas vezes realmente olhamos para ver se tem papel antes de precisar do papel? Porém, a maioria das vezes o papel está lá (sorte) … e no dia que não estiver? =)

panico

O “fazejamento” é um grande risco de falha para projetos, porque é até comum em algumas situações o “fazer sem planejar” dar certo a trancos e barrancos, e o produto é entregue, o trabalho é concluído e as coisas parecem tudo bem. No entanto, muitas vezes também, quando se trabalha com “fazejamento” não se faz lições aprendidas, não se realiza melhorias contínuas, não se aprende com projetos passados, não se analisa produtividade, ROI, perdas e ganhos, entre outras análises que são importantes para diversos projetos. Com isso, há uma impressão de sucesso, e o próprio sucesso pode ser relativo.

Porque o risco é grande? Porque quem faz “fazejamento” continua fazendo porque acreditam que podem continuar trabalhando assim pelas impressões de sucessos anteriores, até que uma grande bomba explode, e todos são mortos. Sabe aquela outra famosa frase? “Entre mortos e feridos salvaram-se todos (Churchill)“. Esta também é uma frase comum em projetos que não são planejados e executados com segurança, mas sim tocados na base do “fazejamento”. Porém, uma hora todos irão morrer e nem sequer poderão utilizar esta frase.

Bom! Se você se identificou, já realizou ou realiza o “fazejamento” em seus projetos, ou está em um time que o GP só realiza “fazejamentos”, cuidado, todos devem estar sendo feridos e pouco a pouco já estão morrendo.

Não trabalhe sem planejamento. Não planejar significa trabalhar o tempo todo na reação, o que aumenta o estresse, aumenta a incidência de erros e retrabalhos, aumentam os custos e frequentemente aumentam os tempos e prazos.

Outro problema comum enfrentado pelos times que trabalham com “fazejamento” é a urgência. Tudo aparece como urgente, pois como não houve planejamento, as necessidade surgem apenas quando precisam ser feitas, e passam a ser urgentes. Eu gosto de dizer que este é o principal sinal de estar trabalhando com “fazejamento”, quando tudo é urgente, e a maioria das atividades a serem feitas são descobertas quando estas já precisariam estar feitas, ou quando precisam ser feitas imediatamente e concluídas quase que instantaneamente.

Com as urgências vem a correria, as dúzias de tarefas em paralelo, as horas extras, os dias sem fim no trabalho, os finais de semana emendados, os feriados perdidos e por ai a fora.

Planeje o necessário, não é preciso ficar semanas ou meses planejando, escrevendo documentos, registrando tudo que será feito, mas pare, pense e execute apenas depois de analisar as condições possíveis e os riscos iminentes.

Lembre-se sempre: Antecipe e adapte com moderação!