O CBGP 2013 foi muito proveitoso e realmente atendeu as minhas expectativas. Ao longo dos três dias de evento, aconteceram mini-cursos, prova de certificação PMP e quase 40 palestras com 35 palestrantes.

Muitas palestras ocorreram simultaneamente, em três salas distintas, então eu selecionei algumas para assistir e destacar aqui para os meus leitores que não puderem ir no evento, ou assisti-lo virtualmente.

Uma das grandes novidades do evento foi a transmissão ao vivo pela internet para os congressistas virtuais, de todas as palestras, inclusive as que ocorreram simultaneamente, onde os congressistas virtuais podiam escolher entre as salas para assistir à um palestrante específico.

Alguns dos destaques que eu selecionei para falar um pouco aqui foram:

Palestra sobre Agilidade

O meu colega de SC, Nikolai Albuquerque, falou muito bem sobre os 7 passos para aplicar a agilidade em projetos. Demonstrando de uma forma bem prática quais são os obstáculos a serem vencidos quando se busca implantar um ambiente verdadeiramente ágil em uma empresa e seus projetos.

Os 7 passos são:

1. Cultura, onde o principal obstáculo é vencer os vícios culturais e mudar a cultura da empresa para se tornar mais ágil;
2. Coragem, onde se foca na coragem de buscar, investir e persistir nas mudanças que vão levar a adoção ágil;
3. Conhecimento, que passa por quebras de paradigmas como desaprender e aprender o conhecimento novo para aplicar a agilidade;
4. Equipe, onde se tem a formação de um Time Ágil que além de conseguir trabalhar bem junto, deve conseguir evoluir e buscar se tornar um time de alta performance;
5. Estratégia, onde deve haver uma estratégia para se alcançar a agilidade, não se pode dizer apenas “seremos ágeis” sem traçar, planejar e seguir uma estratégia;
6. Roadmap, onde não se consegue atingir nenhum objetivo sem traçar um Roadmap que contenha no mínimo Visão Geral, características e priorização;
7. Visibilidade, onde o resumo é “se você não for visto, você não será notado”, com a ideia de que se os trabalhos e resultados da aplicação da agilidade não aparecerem, a empresa provavelmente não continuará investindo nesta mudança.

Como mensagem final, o Nikolai deixou a reflexão de que se você se perguntar: “Por onde começo a aplicação do Ágil na minha organização?” A resposta sugerida é pela comunicação, onde o conjunto de falhas estão na maioria das vezes na comunicação e se o começo for por ai, o resultado será mais garantido.

Palestra – Melhorando os Recursos Humanos

Nosso colega GP, Mauro Tonon, falou sobre os problemas em projetos e reforçou que na sua maioria estão ligados a falta ou mal gerenciamento dos recursos humanos, apresentando números ainda alarmantes para o nosso mundo de gerenciamento de projetos.

– 24% dos projetos falham e não são concluídos ou entregues;
– 44% passam por crises antes da sua conclusão;
– 32% obtém sucesso.

Uma das grandes causas para estes números é falta de gerenciamento dos recursos humanos dos projetos.

Como sugestão para tratar melhor estes riscos de insucesso, Mauro sugeriu a aplicação de duas ferramentas para apoiar a gestão dos recursos humanos, que são:

1 – MBTI, que é uma avaliação mais especializada e mais complexa de cada profissional na organização;
2 – DISC, que é uma avaliação mais simples e que pode ser feita pelo próprio avaliado;

Ambas são ferramentas que permitem a avaliação das pessoas, através da resposta de questionários que dão perfis específicos para cada membro da equipe, sugerindo pontos fracos e fortes, proporcionando um desenvolvimento destes profissionais e um melhor gerenciamento de cada um.

Palestra sobre Inovação

O palestrante Celso Camilo, abordou temas interessantes sobre inovação, a começar por fatos interessantes e reflexivos sobre a inovação no Brasil.

Nos últimos anos o Brasil aumentou seu número de inovações, porém a velocidade é muito lenta e com isso estamos atrás de países como Barbados e Azerbaijão no Ranking de inovação mundial.

Um dos pontos interessantes foi quando o Celso questionou a todos sobre o que é inovação, mostrando vários exemplos de invenções pelo mundo. Em resumo, uma invenção não é necessariamente uma inovação, pois para ser uma inovação precisa ser algo novo que seja útil ao mesmo tempo.

Outros pontos altos da sua palestra foi a menção sobre a Lei do Bem e a Lei da Informática, que possibilitam o desenvolvimento de inovações, mas são pouco usadas, pois poucas pessoas e empresas as conhecem. Em resumo, são leis de subvenção, também conhecidas como as antigas “fundo perdido”, que permitem que investimentos em dinheiro sejam feitos em projetos sem a necessidade de devolução futura.

Por fim, terminou falando sobre a Destruição Criativa, que é um efeito do capitalismo, onde os produtos são criados e logo deixam de ser inovações, para que seja aberto espaço para novas invenções que virão em substituição as antigas. Sendo que um ponto interessante, é o que as novas empresas surgem de inovações e conseguem o seu espaço no mercado, porém, após conseguirem este espaço esquecem  da inovação e desaprendem o conceito da Destruição Criativa, podendo até fechar as portas por falta de novas criações.

Palestra sobre Alto Desempenho de Times Ágeis

Meu respeitável colega Leandro Faria, que além de outras coisas também é blogueiro como eu, falou sobre com os times influenciam mais do que qualquer outra coisa no desempenho dos projetos.

Um dos focos da sua apresentação foi mostrar a relação entre o desenvolvimento de times e o envolvimento de lideranças, onde os estágios de desenvolvimento conhecidos como “Formando”, “Tempestade”, “Normalização” e “Performance” se relacionam com os estágios e envolvimento das lideranças como “Direção”, “Coaching”, “Suporte” e “Delegação”, respectivamente.

Esta relação se torna muito útil para os pensadores como eu, que acreditam que a combinação de abordagens tradicionais e ágeis é o caminho mais rápido e mais seguro para o sucesso de projetos. Times Ágeis auto-gerenciáveis precisam ser maduros e experientes, caso contrário é preciso haver liderança em diversos graus, e esta relação mostra justamente o grau de envolvimento da liderança em times ágeis. Quanto menos maduro, mais liderança, quanto mais maduro menos liderança, podendo chegar a zero em times de alta performance.

Outro ponto alto da sua palestra foi quando ele apresentou pesquisas baseadas na pesquisa de motivação conhecida como “The Candle Problem“. Não vou descrever aqui, mas em resumo, esta pesquisa é feita a mais de 40 anos, com modelos diferentes, e mostra que Times que trabalham com criatividade, conhecimento e trabalhos intelectuais não obtém melhor resultado com motivação baseada em recompensa, apenas os time operacionais estilo modelos industriais mais antigos.

Em resumo, times criativos não são mais performáticos se estimulados no estilo “Carrot Stick“, no português “Cenoura e Espeto”, e que muito menos vão melhorar de performance se a Cenoura for mais doce ou o Espeto mais afiado. Estas são técnicas antiquadas que foram criadas na origem dos conceitos de administração e gerenciamento, na era industrial, e que hoje, na era do conhecimento, não fazem mais sentido.

Palestra sobre Coaching

Tivemos uma palestra bem divertida com o José Roberto Marques, do IBC, Instituto Brasileiro de Coaching. Ele falou várias coisas interessantes sobre o Coaching e seu poder sobre nós mesmos, focando no “Self-Coaching” e “Self-Leadership”, reforçando que é preciso mudar para se conquistar, onde ele considera que o cúmulo da insanidade é querer o melhor resultado sem mudar nada.

Um dos pontos altos foi quando ele citou as três dicas básicas para iniciar um trabalho de Self-Coaching, se apaixonar, manter-se focado e ser atemporal, ou seja, cair de cabeça nas realizações com sentimento de paixão, manter o foco acima de tudo e não dar desculpas de que não há tempo.

A parte que eu mais me marcou foi quando ele mencionou o tempo de vida de algumas empresas no topo, ou seja, ocupando o primeiro lugar no que fazem.

– As empresas focadas em pessoas, demoram 7 anos para perder a posição de primeiro lugar para a concorrência;
– As empresas focadas em marketing, demoram 1 ano para perderem a posição de primeiro lugar para a concorrência;
– As empresas focadas em preço e resultado financeiro, demoram 30 dias para perder a posição de primeiro lugar para a concorrência;

Nos deixando com a seguinte pergunta: “Que tipo você quer para a sua empresa?”

No final, o José Roberto Marques presenteou a todos os congressistas presentes com um exemplo de um dos seus livros, intitulado “Leader Coach – Coaching como filosofia de liderança. Obrigado José, com certeza eu lerei.

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Para não ficar muito extenso, dividi em duas partes, e você pode clicar aqui para acessar o post que eu terminei as minhas impressões do CBGP 2013. Espero que também estejam gostando, assim como eu gostei!

Parabéns ao PMI-GO pelo excelente trabalho, e até o CBGP 2014!!

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