Ultimamente comecei a ouvir mais este termo: “Ágil fora da TI” e o estranho é que muita gente, mas muita gente anda se confundindo com este termo e usando de forma errada para promover um trabalho de forma equivocada.

“Ágil fora da TI” é um termo informal que representa a aplicação de métodos, práticas e abordagens ágeis em ambientes fora da área de tecnologia da informação, como Softwares e Infraestrutura de TI, simples assim. Então qual é a confusão?

A confusão é que tem gente por ai dizendo que tem cases de “Ágil fora da TI” aplicados em educação, engenharia, áreas médicas e mais um monte, só que quando a gente vai ver o case, na verdade o “cara” aplicou o Ágil para desenvolver um sistema dentro de um hospital, ou de uma fábrica, ou de uma escola, ou fez um app para automatizar um processo dentro de uma indústria. Isso não é “Ágil fora da TI”, é simplesmente Ágil dentro da área de TI de uma empresa que não é de TI. Sacou?

“Ágil fora da TI” é realmente aplicar métodos, práticas, frameworks, ferramentas e mindset em soluções de problemas ou melhorias em áreas que não são de Softwares ou de Infraestrutura de TI, em qualquer empresa, que até pode ser em uma empresa de Software, mas em uma área diferente como contabilidade, financeiro, marketing, gestão de pessoas, entre outras.

Por exemplo, recentemente atuei com Agile em um grupo de empresas que tem várias escolas de ensino fundamental e médio no Brasil, e o projeto foi para montar um projeto conceitual (protótipo) de uma nova escola para o grupo. Montamos um time ágil de 15 profissionais multidisciplinares de áreas como educação, pedagogia, financeiro, contábil, infraestrutura, sistemas, gestão, entre outras, e em após treinamentos e uma preparação rápida, rodamos duas Sprints e entregamos o produto prototipado para o board da escola.

Em outro exemplo recente, fomos convidados para aplicar métodos ágeis para mudar a gestão de um grande grupo alimentício, onde reunimos também um time multidisciplinar de várias áreas que estão analisando processos, e mudanças organizacionais para otimizar sua produção.

Veja, nestes exemplos, não vamos desenvolver sistemas, softwares ou apps, vamos desenvolver a própria organização, sua forma de fazer gestão e otimizar seus processos. No máximo a área de TI e Software é envolvida por ser um dos integrantes, e uma das disciplinas que o time precisa, mas é a coadjuvante.

Então, é isso. Ágil fora da TI nada tem a ver com fazer sistemas, softwares ou apps para uma empresa que não é de TI, mas sim aplicar o Agile em áreas corporativas ou de negócio da organização que precisam ser otimizadas, melhoradas e enxugadas a partir de si mesmo, para que a sua própria organização tenha mais eficiência e eficácia em seu trabalho para seus clientes. É claro que a partir deste raciocínio criar um sistema, software ou app que otimiza uma área da organização pode estar contido dentro do “Projeto como um todo”, mas não somente isso, pois, caso faça só isso será um “Ágil normal” por assim dizer :).