Este assunto é muito bom e com vários aspectos para abordar, além de que eu me empolgo muito, então vou dividir este post em 2 (duas) partes. Esta é a primeira delas.

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“A agilidade não vem de ferramentas ou frameworks, a agilidade vem das pessoas” é uma frase muito dita nos corredores das empresas, em artigos na internet, em salas de aula e palcos de palestras. Assumindo como premissa que esta afirmação é verdadeira, todos, eu e você, estamos cercados de pessoas por todos os lados, estas que juntas formam a arma mais poderosa de todas, mas também a mais complexa de ser utilizada e a mais frágil, podendo ser afetada e influenciada pelos ambientes, assim como afetar e influenciar todo um ambiente.

As pessoas são incríveis, diferentes, especiais e cheias de desejos, expectativas, problemas, históricos, experiências, potenciais, conhecimentos e bagagens que as tornam únicas e formam o ambiente interno de cada um, ou seja, o seu próprio EU que impacta diretamente em seu rendimento, motivação, determinação, espírito de equipe, forças, fraquezas, crenças e muito mais …

Para complicar um pouco mais existe o ambiente externo a nós, que nos rodeia e que nos impacta diretamente influenciando o nosso EU positivamente e negativamente. Estes ambientes podem ser diversos, tanto profissionais como pessoais, para este post gostaria de falar um pouco do ambiente profissional conhecido como empresa e fazer uma conexão da influência dos ambientes em que trabalhamos com a produtividade, satisfação e motivação de cada um.

Não é o meu objetivo entrar em psicologia, filosofia, antropologia ou qualquer uma das “ia” que trata mais profundamente o ser humano e seu comportamento, não tenho nem conhecimento para isso, então vamos assumir que cada pessoa tem um tempo de resposta, tem uma forma de conduzir e de muitas vezes ser conduzida e responde melhor a certos estímulos e ações.

Um gestor, líder ou até mesmo um membro de um time que acredita que todos são iguais e apenas uma forma de comportamento e ação deve ser feita gerando o mesmo resultado e retorno por todos tem menos opções e se torna mais fraco do que aquele que conhece seu time e atua de formas diferentes para obter melhores resultados. No entanto é muito difícil agradar a todos e ter ações e reações distintas para cada pessoa que conhecemos ou que trabalhamos junto. Imagine você fazendo isso para 50 pessoas … imaginou? agora imagine para 500 … hmmm … e agora imagine para 5.000 … 😐

Deste modo é quase impossível para uma empresa atender as necessidades específicas e individuais de cada pessoa que se relaciona, mas é possível sim, ter e disponibilizar um ambiente que favoreça e contribua para um melhor desempenho da maioria das pessoas, e que especialmente na questão psicológica tenha impactos positivos e provoque mais benefícios do que malefícios ou impactos negativos.

Antes de continuar é muito importante que você entenda que uma empresa é um organismo vivo e coletivo, onde o indivíduo tem seu espaço dentro de um grupo e o objetivo da empresa deve ser atender ao coletivo e fazer o seu organismo vivo sobreviver como um todo e crescer de forma saudável e sustentável. Isso significa que muitas vezes você precisará abrir mão do EU, do EU QUERO, EU PRECISO, EU … EU … EU … e pensar no NÓS, o NÓS é mais importante para uma organização do que o EU. É claro que você é importante, todas as pessoas são, e as empresas são compostas por pessoas, mas não por 1 UMA pessoa só individualmente, mas por um grupo delas, por times, por áreas, por departamentos, então vamos parar de MIMIMI e de querer apenas satisfações pessoais e individuais, e pense no todo, veja sua empresa de forma sistêmica, olhe para o seu time, converse com o seu colega para ver se para ele também é importante o que para você parece ser o mais importante de tudo, observe sua área e comece a pensar no que é bom para vocês todos, e não só para você e seu belo umbigo.

Entendido isto, podemos prosseguir refletindo que as empresas podem promover ambientes que contribuam para os resultados coletivos de seus times e organização, ou não e jogar muito contra. Vamos observar o princípio ágil que menciona o seguinte:

“Construir projetos ao redor de indivíduos motivados. Dando a eles o ambiente e suporte necessário, e confiar que farão seu trabalho.”

A empresa pode sim através de seu ambiente de trabalho ser a responsável pela promoção e desencadeamento de motivação, positividade e bons resultados, ou simplesmente pela desmotivação, negatividade e baixa produtividade. O pior é que as vezes a empresa e seus gestores nem se dão conta disso e continuam cobrando mais e mais resultados de seus colaboradores sem oferecer um ambiente que propicie este suposto crescimento.

Deixando um pouco o indivíduo e os gostos pessoais e individuais fora desta discussão e olhando para grupos de pessoas, times, trabalhos coletivos e colaborativos podemos dizer que de uma forma geral há ambientes que favorecem mais ou menos o atingimento de melhores resultados.

Na maioria dos casos os ambientes considerados feios, escuros, fechados, abafados, pequenos, apertados, quentes, frios (no sentido sentimental da palavra) e que isolam as pessoas não levam times a bons resultados, muitas vezes afastam as pessoas uma das outras e provocam descontentamento com a empresa e seus colegas.

Outro fator que pode desencadear descontentamento coletivo e baixa produtividade é o controle excessivo de cartão ponto e da exigência da permanência das pessoas sentadas em suas mesas e em total silêncio, sem olhar para o lado, sem respirar e sem poder levantar para ir no banheiro ou tomar um café. As pessoas não são robôs e muitas vezes uma parada e uma rápida descompressão ou uma conversa com o colega ajuda a resolver um problema mais rapidamente do que ficar sentado olhando para a tela do computador sem poder se mexer “fingindo” que está trabalhando e o gestor “fingindo” que acredita no trabalho.

Falando em café, uma vez passei por uma empresa que estava passando por uma fase de cortes de custos, e então resolveram limitar o cafezinho a apenas duas garrafas por dia, uma pela manhã e outra a tarde … adivinhe o que aconteceu? As perdas foram muito maiores do que a suposta economia no café, as pessoas paravam de trabalhar para reclamar e ficavam no corredor indignadas, muitas saiam para tomar café fora da empresa, gerando muito mais desperdício do que o que tentaram eliminar e na hora que a garrafa de café ficava pronta a empresa inteira parava e iam todos para fila tentar pegar um copinho, e os que ficavam sem saiam reclamando e iam para a cafeteria mais próxima.

Deixo você responder esta: Neste exemplo o ambiente é positivo e promove mais produtividade ou acaba com a motivação da galera?

Estes e outros fatores como Dress Code, Áreas para alimentação e convivência, espaços para descompressão e relaxamento, disponibilidade de recursos e equipamentos necessários para exercer com qualidade e performance cada trabalho podem também gerar ou provocar coisas boas ou coisas ruins.

Como podem ver os ambientes podem impactar e influenciar muito a produtividade, a reação, a satisfação e a motivação das pessoas e como as empresas podem melhorar isso? Quais são os ambientes que promovem maior conforto e produtividade? Quais são os ambientes que provocam maior interação, integração e trabalhos colaborativos? Quais são os ambientes que a maioria das pessoas está buscando ou gostaria de trabalhar? Quais são os códigos de vestimenta (dress code)? Como devo me comportar nestes novos ambientes? Minha empresa vai desaparecer porque ela tem um ambiente ruim e feio?

Estas e outras perguntas serão respondidas da segunda parte deste post, fique ligado e não perca as cenas dos próximos capítulos 😉